Para que serve uma moção? Para nada!

Distritais se ocupam de passar uma tarde criticando uma peça teatral que ensina sobre sexo e doenças sexualmente transmissíveis

Israel Batista, que foi contra a moção, conversa com os evangélicos Rodrigo Delmasso e Bispo Renato, que também são autores do texto – Foto: Ísis Dantas

Está no dicionário. Moção significa “abalo moral, choque, comoção”. Ou seja, não tem efeito prático algum na vida de ninguém quando a Câmara Legislativa aprova uma moção para repudiar qualquer coisa. Mas, ainda assim, os parlamentares perdem o valioso tempo que têm para aprovar uma “moção de repúdio” a uma peça teatral de educação sexual. “O Auto da Camisinha” gerou polêmica e discursos inflamados dos parlamentares evangélicos e defensores da dita família tradicional. Mas o que significa deputado aprovar moção? Nada! Só escrevem que estão chocados com uma apresentação que ensina adolescentes de escolas públicas sobre sexo e doenças sexualmente transmissíveis.

Sabe quando você está com muita raiva de uma coisa e, em vez de tentar resolver, discutir, argumentar, prefere xingar muito no Twitter? Então… É o mesmo que jogar para a plateia, que marcar posição e se mostrar para o eleitorado.

Foram nove os deputados que apoiaram o texto proposto pelos evangélicos Sandra Faraj (PR), Rodrigo Delmasso (PRB), Julio Cesar (PRB) e Rafael Prudente (MDB). E oito os que foram contrários. Os outro sete não estavam no Plenário na hora da votação.

“Quem tem que falar e escolher a forma de falar sobre educação sexual é a família”, discursou Delmasso para tentar convencer os pares. “Não conhecemos a peça”, defendeu o petista Ricardo Vale, que mencionou até uma “criminalização” dos artistas da Companhia Hierofante, que produz a peça e que já se ofereceu a apresentá-la aos deputados. “Não podemos ser injustos. Não dá para se basear num trecho de vídeo que circulou na internet”, tentou Vale. Em vão.

Tipo colégio

Eles passaram praticamente toda a tarde de terça-feira (22) discutindo o assunto. Teve espaço até para piadas. Enquanto os colegas discutiam a polêmica moção, uma voz no Plenário tentava forçar o presidente Joe Valle (PDT) a pronunciar o nome da peça. Insistiu, entre risos. O presidente reafirmou que a secretária da Mesa, deputada Telma Rufino (Pros), no momento certo faria a leitura da moção. A voz repetiu, como na escola quando os colegas querem constranger o professor. Era Cristiano Araujo (PSD).

 

 

Millena Lopes



1 comentário para este artigo

  1. Roberto De Martin disse:

    Parabéns pela cobertura.

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