PDT pode se coligar com PSB por imposição nacional

Ordens deverão vir de cima, assim que os partidos alinharem apoio à candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República

Joe Valle e Rollemberg: será que essa foto se repetirá na campanha? – Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

Quase nove meses depois de deixar a base de governo, declarar uma independência, que, na verdade, virou oposição, o PDT pode voltar a se juntar com o governador Rodrigo Rollemberg, por imposição nacional. Em conversas avançadas, o PSB deve logo declarar apoio à candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. E, no pacote, deve estar a repetição da aliança no Distrito Federal. 

Junto com o movimento nacional, Rollemberg tem tentado se aproximar dos parlamentares do partido, para já ensaiar o namoro, antes que o casamento seja sacramentado. Ele já telefonou para alguns, já enviou recados a outros e tem torcido para que o acordo saia logo, já que o retorno dos pedetistas à legenda poderia salvar o segundo turno. 

O PDT vai ter que arrumar bons argumentos para convencer os eleitores que, agora, Rollemberg merece a confiança da população, já que os deputados distritais Joe Valle, Claudio Abrantes e Reginaldo Veras assumiram a postura de opositores à gestão atual. O presidente do PSB no DF, Tiago Coelho, contemporiza, dizendo que a oposição do PDT sempre foi muito construtiva e que os dois partidos sempre estiveram alinhados em relação às políticas públicas. “PDT e PSB têm uma caminhada muito próxima, de muita data”, lembra, ao dizer que o partido está “esperançoso” de que a aliança seja consolidada.

O partido de Joe Valle e Ciro Gomes, no entanto, está em polvorosa. Tem um grupo articulando o lançamento de uma candidatura própria – a reunião que consolidaria o nome de Peniel Pacheco como postulante ao Buriti foi adiada por um pedido do presidente nacional, Carlos Lupi, justamente para dar tempo de as conversas fluirem. 

Lupi sabe que, embora os deputados distritais queiram ser ouvidos antes de o casamento ser sacramentado, os partidários são disciplinados e devem seguir a orientação que vier de cima. “Se a direção nacional disser que o acordo inclui a coligação com Rollemberg, vai ter rebelião, mas vai ter a aliança”, diz um pedetista.

“Se a Nacional impuser, o que a gente vai fazer?”, dispara o distrital Reginaldo Veras, cuja vontade pessoal é apoiar Rollemberg somente em um provável segundo turno disputado com Jofran Frejat (PR). “Com Rollemberg pelo menos mantenho o diálogo”, aposta.

Claudio Abrantes, que foi para o PDT justamente em função de o partido ser oposição ao governo, diz que o PSB terá de convencer o partido. “A resistência a Rollemberg é gigantesca. E ainda tem muita água para passar por debaixo da ponte”, observa.

Joe Valle

Agora, depois que Joe Valle anunciou candidatura ao governo e ao Senado e, em várias oportunidades, fez severas críticas a Rollemberg, com que cara figuraria numa chapa como candidato ao Senado, ao lado do governador? Para o Palácio do Buriti, isso seria muito possível. E, como acredita-se que, com a ida do PDT, no pacote, iriam também Rede, PPL e PCdoB, o outro postulante seria Chico Leite (Rede) – este sim se manteve mais discreto nas críticas e não teria de dar muitas explicações ao eleitorado.

Joe já disse aos colegas que ou é candidato ao Senado ou não é nada. A pressão familiar seria forte para que ele deixe a política, mas será que vai ficar mesmo quatro anos sem mandato? Ou vai encarar a incoerência? 

Millena Lopes



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