GDF só nomeou 10% dos aprovados em concursos

Dos 111,3 mil aprovados nos concursos vigentes durante o governo Rollemberg, apenas 12 mil foram nomeados. Sindicatos dizem que número não cobre sequer aposentadorias e vacâncias

Emergência do HMIB: Saúde tem 51,9 mil aprovados em concurso aguardando nomeação – Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

Nomear aprovados em concurso público não foi uma prioridade do governador Rodrigo Rollemberg. Seja pelo longo período no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ou por falta de prioridade, os números mostram que pouco mais de 12 mil  dos 111.397 aprovados em concursos vigentes foram nomeados.

Ao todo, 98.870 aprovados em concurso ainda aguardam nomeação. Saúde, Educação e Cultura lideram o ranking de mais aprovados esperando para assumir suas vagas com, respectivamente, 51,9 mil, 29,3 mil e 10,1 mil concursados aguardando o nome ser publicado no Diário Oficial do Distrito Federal.

Os números foram disponibilizados pela Secretaria de Planejamento e Gestão para o gabinete do deputado Claudio Abrantes (PDT), que tem brigado pela nomeação de servidores e chegou a apresentar requerimento que resultou na convocação do secretário Renato Brown e convite de outros gestores das mais diversas áreas.

“Os dados enviados pelo GDF confirmam o que sempre dissemos. O servidor e o serviço público nunca foram prioridade para este governo. A quantidade de pessoas que entraram sequer cobre aposentadorias e vacâncias. É grave e a população está sentindo isso”, disse o parlamentar, comentando sobre delegacias que fecharam as portas por falta de efetivo e hospitais sem atendimento por falta de médicos.

Veja a tabela da Seplag com os aprovados e nomeados em concursos vigentes

Para Marli Rodrigues, presidente do SindSaúde, não é surpresa que o governo tenha deixado de nomear quase 52 mil para a área de Saúde, já que, segundo ela, “a grande marca dessa gestão é a precarização, seguida da terceirização”.

A sindicalista é conhecida pelas severas críticas que faz ao governador Rollemberg, que, segundo ela, “conseguiu destruir em três anos o único hospital terciário da rede pública, para virar cabide de emprego”, referindo-se ao Instituto Hospital de Base.

“Se ele tivesse investido de forma eficiente na convocação dos concursados, teríamos mais leitos de UTI reabertos, serviços de hemodiálise funcionando, laboratórios e radiologia em todos os hospitais regionais com capacidade plena. Mas, em detrimento a isso, estamos vendo todos esses serviços serem terceirizados para atender interesses estranhos à saúde pública. As convocações de concursados foram irrisórios frente ao deficit real. Esse é um governo de faz-de-conta”, arremata Marli Rodrigues

A Secretaria de Planejamento do DF diz que os nomeados – 12.453 – extrapolaram as previsões, já que, dos concursos vigentes e passíveis de convocação, previa-se em edital um total de 5.580 vagas. “É importante salientar que aprovação não significa, necessariamente, nomeação. Os editais preveem o total de vagas efetivas, que podem ser complementadas por cadastro de reserva. Desse modo, apesar de mostrar o candidato como aprovado, não há o direito líquido e certo à nomeação”, argumenta a pasta.

Marina Marquez



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