Debate tem dedos em riste, bate-bola entre amigos e fuga de embate

Atualizado em 29/08/2018

Defesa do ex-presidente Lula também pautou o enfrentamento entre os candidatos ao Governo do DF nesta terça-feira (28)

 

Sete dos 11 postulantes ao Palácio do Buriti participaram do debate promovido pela TV Brasília/Correio Braziliense – Foto: Reprodução

Terceiro entre os postulantes ao Palácio do Buriti e segundo com os candidatos de fato, o debate promovido pela TV Brasília/Correio Braziliense, na tarde desta terça-feira (28), reuniu sete dos 11 que querem comandar o DF por quatro anos. O evento foi marcado por troca de insultos, dedos em riste e acusações. Enquanto quatro se dividiam entre confrontos e bate-bolas, dois candidatos preferiram defender o ex-presidente Lula nas falas e uma ficou no plano das propostas, fugindo dos embates.

Rogério Rosso (PSD) e Rodrigo Rollemberg (PSB) protagonizaram um bate-boca com troca de acusações, quando o governador provocou, dizendo que, se fizesse tudo o que está promovendo, Rosso vai quebrar Brasília antes do aniversário da capital, comemorado em 21 de abril. E perguntou se o secretário de Fazenda vai ser o Papai Noel ou o Mágico de Oz. “Só com mágica”, repetiu o chefe do Executivo.

Para chamar Alberto Fraga (DEM) de mentiroso, quando foi perguntado sobre um suposto vídeo que teria sido gravado por Durval Barbosa no âmbito da Operação Caixa de Pandora, Rosso até se lamentou. E finalizou a fala com tapinha nas costas do colega de Câmara dos Deputados. Em outro episódio, mostrou que estava afinadinho com o candidato do PR, com um bate-bola de propostas. Assim também foi com Eliana Pedrosa (Pros), que preferiu ficar no canto dela, sem fazer acusações aos adversários.

Eliana, que foi ao debate de terninho e tênis, foi confrontada com a realidade da família logo no início, quando disse que os contratos vigentes que as empresas têm com o governo serão cumpridos até o fim e que estas não devem mais assinar novos. Depois, recuou na atuação. Ela vai bem nas pesquisas. Aparece em primeiro lugar nos levantamentos dos institutos Datafolha e Ibope. E parece ter como estratégia para manter os bons números ficar quieta, sem enfrentar os adversários diretos – nas pesquisas, Rollemberg, Fraga e Rosso aparecem empatados tecnicamente com ela. Quando foi a vez dela perguntar, ela preferiu se dirigir a Fátima Sousa (Psol), por exemplo.

Ibaneis Rocha (MDB) se mostrou bem preparado para enfrentar os adversários. Já tem costume com os discursos, é certo; fez fortuna como advogado. E está afinado com o discurso que a população quer ouvir: defendeu os trabalhadores, criticando a reforma trabalhista; tentou se desvencilhar da pecha de corrupção do partido, repetindo que é ficha limpa; saiu em defesa das mulheres – disse até que usou camisa rosa em homenagem ao público feminino (dispensável) – e prometeu combater a violência doméstica.

Rodrigo Rollemberg, que foi atacado por quase todos os adversários – menos, dessa vez, que das outras duas, é certo -, usou de piadas para se defender. Além de ter perguntado se Rosso usaria de mágica para cumprir tantas promessas, se referiu à união dos adversários dele como “consórcio“. Repetiu os principais feitos do governo dele, arrancou um quase elogio de Fraga e mencionou até a desistência de Jofran Frejat (PR) da disputa, tentando pegar uma carona na afinação que parece ter também com o popular e bem avaliado ex-secretário de Saúde do DF.

Fraga tentou minimizar o tom já conhecido como mais agressivo, incluiu as mulheres no discurso e reconheceu que, até ele, “que tenho coração duro”, se sensibilizou com a situação de uma região do DF, que sofreria com o descaso do governo. Não sem antes dizer que Rollemberg “deu uma bola dentro”, quando acabou com o Lixão da Estrutural, “e cinco fora”, ao citar o caso da comunidade de Santa Luzia, que ele diz ter visitado recentemente.

Fátima Sousa (Psol) fez parte da lição de casa, estava mais firme nas propostas e fez até acusações. Confrontou propostas de Eliana Pedrosa, por exemplo, exaltou o plano de governo dela e chamou a UnB de “querida” algumas vezes. Mas tropeça quando chama as regiões administrativas do Distrito Federal de “cidades administrativas”.

Júlio Miragaya (PT), com a ajuda de Fátima, mostrou que foi ao debate somente para defender o ex-presidente Lula e o legado do PT no DF e no Brasil. Deixou isso claro e voltou a falar várias vezes dos “50 tons de Temer”. Na maioria das vezes, bateu bola com Fátima, mas foi confrontado por Ibaneis, com quem aparece praticamente empatado nas pesquisas, e instado a dizer se era a favor da corrupção. E, mais uma vez, defendeu a estrela do partido.

Millena Lopes



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