Para Ibaneis, não há tempo de discutir projeto: “Várias pessoas vão morrer”

18 de January, 2019 - 17:18 Atualizado em 18/01/2019 17:40

Governador ameaça processar deputados e critica resistência à votação de projeto que amplia o modelo do Instituto Hospital de Base

 

Ibaneis Rocha disse que não há tempo para discutir projetos: “Eu vou entrar com uma ação contra cada um (dos deputados)” – Foto: Divulgação

Convencer os deputados distritais de que um modelo de gestão da saúde que foi demonizado numa campanha é a solução de todos os problemas não vai ser tarefa tão fácil para o governador Ibaneis Rocha. Ele vem sofrendo grande resistência inclusive da base aliada para votar, em sessão extraordinária, a extensão do modelo para outras unidades de atendimento da capital. Nesta sexta-feira (18), o chefe do Executivo fez ameaças aos parlamentares e disse que “a Saúde está péssima, em frangalhos”. E quem quiser ser contra o projeto, ele disse, “que assuma com a responsabilidade das vidas que estão aí morrendo”.

A fala do governador caiu como uma bomba nos gabinetes da Câmara Legislativa. Quem defende o governo diz que não se trata de ameaça, mas de preocupação. No entanto, as palavras de Ibaneis, conhecido pelo jeito firme com que trata as questões, são bem claras: “Em meses [de tramitação do projeto] várias pessoas vão morrer. Eu quero dizer pra eles exatamente isso: eles escolhem o que eles querem. A partir daí, eu vou entrar com uma ação contra cada um, pela morte de cada cidadão. Ou dão os instrumentos pra que o governo consiga fazer emergenciais ou então nós vamos ter uma enfrentamento grave, entendeu? Eu estou cansado de ver histórias de morte por falta de atendimento. Eu tenho um compromisso com a população. Se esses que querem discutir, não tem, fiquem na oposição. Aliás, eles já são oposição.”

E, em seguida, disparou: “Não é ameaça, não.” Depois, disse que não iria responsabilizar os deputados pela morte de ninguém. “Eu estou dizendo que eles tem que ter consciência na hora de votar”, completou.

Vários deputados distritais se manifestaram contra o projeto de Ibaneis e reclamam de ter de aprovar o modelo a toque de caixa, como quer o governo. “Se tiver algum ajuste pontual, a gente traz o projeto, arruma. Mas eu preciso de instrumentos pra cuidar da Saúde. Se continuar no modelo que está aí, nós só estamos piorando, gastando mal os recursos da Saúde, com muita corrupção dentro da Secretaria de Saúde, com muitas compras mal feitas, gastos elevados”, justifica o governador.

Ibaneis ainda provocou os parlamentares, pedindo que eles fossem para a fila de um hospital público. “Nós, governo, precisamos de instrumentos pra atender a população carente do DF. Eles (deputados) têm plano de saúde e podem recorrer aos grandes hospitais. A população não tem, só tem a porta dos hospitais do DF, que estão fechadas por uma gestão ineficiente dos últimos anos. Eu quero que eles rasguem o plano de saúde e vão pra fila do Hospital de Base. Se eles toparem fazer isso, eu topo suspender o projeto e discutir”, disse o governador, para quem não há tempo para debates.

Mais de uma vez, Ibaneis disse que os deputados têm responsabilidade com as pessoas “sofridas” do DF. “Tem muita gente morrendo, então eu coloquei como prioridade, e eu conto sim com a colaboração da minha base e da oposição, para entender que isso é um instrumento de urgência pra recuperação do DF”, apelou.

Nomeações congeladas

Seguindo o tom de ameaça aos parlamentares, o governador disse que, agora, só faz nomeações técnicas. “Se eles resolverem levar para a pauta comum, não vou fazer nomeações políticas. Não sou passível de pressão”. disse, ao reafirmar que não está negociando cargos no governo.

O governo insiste que trata-se de uma tentativa de solução emergencial e que o governador admite rediscutir o assunto depois. Agora, portanto, diz a atual gestão, “é preciso agir rápido e está é a única forma de evitar prazos longos”.

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