Em vez de filmar alunos, Reginaldo Veras sugere que professores filmem os contracheques

26 de February, 2019 - 17:38 Atualizado em 26/02/2019 17:38

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Reginaldo Veras: “O ministro se utiliza de medidas ridículas para encobrir que não tem competência” – Foto: Ísis Dantas

Depois de o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues, sugerir que alunos sejam filmados cantando o Hino Nacional em escolas de todo o País, o deputado distrital Reginaldo Veras (PDT) fez um discurso na Câmara Legislativa sugerindo que os professores filmem os contracheques e a falta de estrutura das escolas públicas. Para o pedetista, Vélez “se mostra desqualificado para o cargo de ministro de Estado, mais grave ainda sendo o Ministério da Educação”.

Favorável à execução do Hino Nacional nas escolas, o parlamentar, que também é professor, diz que, além de cantar, os alunos devem também aprender a interpretá-lo, “comparando o ufanismo da letra com a contraditória realidade social do País”. E aconselha que os professores, gestores, pais e alunos filmem “o contracheque dos profissionais de educação com seus salários precários e divulguem para a sociedade; as precárias condições físicas das escolas por todo o país; a falta de merenda, que ainda é desviada por alguns políticos, como em São Paulo; a falta de material básico de trabalho, obrigando os profissionais de educação a fazerem vaquinhas até para pintar a escola e receber os estudantes com o mínimo de dignidade; a falta de segurança no perímetro das escolas; a falta de livros didáticos, que ainda não chegaram a todos os alunos; os professores trabalhando em casa, à noite e no fim de semana, fazendo plano de aula, corrigindo provas, preparando atividades para nossos alunos”.

Como membro da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa), ele diz fazer questão de ressaltar que alunos não podem ser filmados e terem imagens divulgadas sem autorização dos pais. “O uso do slogan de campanha do atual presidente em documento oficial do MEC fere o princípio básico da administração pública: impessoalidade”, discursou, ao mencionar que o ministro também pede que as escolas leiam para os alunos um texto que enfatiza o bordão de campanha do atual governo: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!” – depois, o ministro voltou atrás e disse que retirará da mensagem o trecho em que menciona o slogan de campanha e que orientará aos diretores que busquem autorização dos pais para filmar as crianças.

Para Veras, o ministro se utiliza de “medidas ridículas” para “encobrir que não tem capacidade, não tem competência, não tem política educacional e nem propostas para resolver os graves problemas da educação pública do País”.

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