Somente neste ano, mil professores da rede pública devem se aposentar no DF

3 de July, 2019 - 21:21 Atualizado em 03/07/2019 21:21

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Desde 2015, número passa dos 5 mil, enquanto os nomeados não chegam nem na metade

 

Rafael Parente diz que a Reforma da Previdência tem contribuído para aumento de pedidos de aposentadoria, tanto que a Subsecretaria de Gestão de Pessoas tem tido dificuldade de atender a todos – Foto: Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília

Mais de mil professores devem se aposentar neste ano de 2019. A iminência da aprovação da Reforma da Previdência é o que motiva os profissionais da rede pública que já têm tempo de trabalho suficiente a deixarem os postos de trabalho. A estimativa é da Secretaria de Educação do DF, que aguarda a nomeação de 1.212 aprovados no último concurso, realizado em 2016, ainda este ano.

Nas contas do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), de 2015 até agora, 4.930 professores se aposentaram. Somente neste ano, foram 494. E as nomeações, nas contas do sindicato, no mesmo período, somam 2.348. A Secretaria de Educação contabiliza 4.666 aposentados até o ano passado e estima que, neste ano, o número chegará a 1 mil. Os nomeados no período, conforme informou o secretário Rafael Parente, são 2.192.

O volume de requisição de aposentadorias tem sido tão grande, que a Subsecretaria de Gestão de Pessoas não tem conseguido processar todos os pedidos, segundo Parente. “A gente também está num contexto de crescimento do número de matrículas na rede pública. Esse número vinha caindo, chegou a 35 mil, mas, neste ano, bateu os 68 mil”, pontua.

“Temos muitos desafios e eles têm sido passados para a Fazenda”, comenta Parente, que lembra dos “limites financeiros” do governo. “Estamos otimistas de que essas nomeações sejam feitas. Elas não resolvem o problema, mas ajuda. A gente precisa se conscientizar que vai ter uma aceleração de aposentadorias e as nomeações precisam acompanhar isso”, argumenta.

Promessa de nomear 1.212

Nesta terça-feira, o deputado distrital Reginaldo Veras (PDT) intermediou uma reunião entre a comissão de aprovados no último concurso da Secretaria de Educação e representantes da Secretaria de Fazenda. E ouviu do governo que haveria a possibilidade de sair, até o fim do mês, a convocação de 1.212 professores, 34 secretários, 310 monitores e 215 servidores de apoio técnico. O Sinpro-DF, no entanto, é cético com relação à sinalização.

O secretário da Fazenda, André Clemente, não faz promessas concretas ao sindicato, que também nesta terça-feira (2), se reuniu com ele. “Eu até fico feliz com essa notícia, porque tivemos uma reunião com a Secretaria da Fazenda e com a gente foi diferente. Saímos de lá muito preocupados”, explica Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF, que ouviu de Clemente que o cenário financeiro é de muita dificuldade. “Apresentamos o alto número de aposentadoria e de contratos temporários, que já somam oito mil”, explica a sindicalista, que se preocupa com a contratação precária desses profissionais. “O que está havendo é uma substituição (de efetivos por temporários)”, ela opina.

Se os oito mil temporários incomoda o Sinpro, imagina se o governo atende ao pedido da Secretaria de Educação, que estima a necessidade de mais 60 mil horas de prestação de serviços na rede pública, principalmente para atender ao número de matriculados em escolas públicas, que não para de crescer.

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