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Gerou uma polêmica danada o tweet da deputada federal, depois que Bolsonaro defendeu o trabalho infantil

 

Depois que o presidente Jair Bolsonaro apareceu em live defendendo o trabalho infantil, vários apoiadores foram às redes sociais defender a fala dele. Uma delas, a deputada federal do DF, Bia Kicis (PSL), virou motivo de piada, ao dizer, no Twitter, que, aos 12 anos, vendia brigadeiro para pagar aulas de tênis, mesmo sem precisar.

“Eu me sentia criativa e produtiva”, escreveu a parlamentar, que mencionou ainda uma “enorme satisfação” em fazer isso.

Mais de 14 mil pessoas curtiram a fala dela, que foi postada na madrugada desta segunda-feira (8), e a maioria dos internautas que se manifestou no post criticou a deputada.

O distrital Leandro Grass (Rede) também foi às redes sociais rebater a fala de Bia, ciando crianças do Sol Nascente, Estrutural e Porto Rico. “(As crianças) estão nas ruas trabalhado por imposição. Assim, deixam de frequentar a escola e brincar. São elas que o Estado deve proteger”, citou, para fazer um apelo à parlamentar, que já foi procuradora do DF.

Aposentada do Ministério Público Federal, ela, que é declaradamente uma ativista de direita, ficou conhecida por defender o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em vídeos ao lado de Olavo de Carvalho e Jair Bolsonaro.

Defesa do trabalho infantil

Foi numa live, na última quinta-feira (4), que Bolsonaro disse que, no caso dele, trabalhar na infância não lhe causou problema. “Olha só, trabalhando com 9, 10 anos de idade na fazenda eu não fui prejudicado em nada. Quando um moleque de nove, dez anos vai trabalhar em algum lugar, está cheio de gente aí ‘trabalho escravo, não sei o quê, trabalho infantil’. Agora, quando está fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada”, disse o presidente.

Em todo o País, cerca de 1,8 milhão de crianças e jovens com idade entre 5 e 17 anos trabalham. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados de 2016, destes, 1 milhão se enquadravam em condições ilegais de trabalho. Nesse grupo, estão 190 mil crianças de 5 a 13 anos.

Para organizações como o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) e a Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, os números reais são bem maiores, já que o IBGE mudou a metodologia na PNAD 2016 e excluiu das contas crianças e adolescentes que trabalham para o próprio consumo. Para o FNPETI, o número real é 2,4 milhões. Para a Rede Peteca, 2,7 milhões, com base na PNAD 2015.

Proibido por lei

No Brasil, a legislação proíbe o trabalho para menores de 16 anos, a não ser como aprendiz a partir dos 14 anos. O País assumiu um compromisso internacional de erradicar o trabalho infantil até 2025, dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pelas Nações Unidas em 2015. De forma voluntária, 193 países, incluindo o Brasil, se comprometeram com 17 objetivos e 169 metas.

Assista aqui ao vídeo do Poder no Quadrado Ao Vivo sobre o assunto:

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