Operação Tartaruga: tropa desmotivada e ameaça real

Atualizado em 14/11/2019
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Sem dinheiro, governo tenta acalmar os ânimos de militares, que esperavam para agosto a redução de interstício para promoção

 

Faixas com ameaças de entrar em operação padrão foram distribuídas pelas regiões administrativas, nesta semana – Foto: Reprodução

Temendo a ameaça de se alastrar a Operação Tartaruga, o Governo do DF tenta acalmar os ânimos de policiais militares, que esperavam para agosto a redução de interstício para promoção da tropa. O governo argumenta que não há caixa para cumprir o prometido na campanha e o novo comando geral atua para, mesmo sem dinheiro, levantar a bola da tropa desmotivada.

Falta de valorização da categoria é a principal queixa de policiais militares. Além de não terem reconhecimento do Governo do DF, que tem atribuído a redução da criminalidade à ação da Polícia Civil, com a reabertura de delegacias, PMs estão insatisfeitos com o não cumprimento de uma promessa de campanha do governador Ibaneis Rocha: a redução do interstício, que ocorre três vezes por ano (abril, agosto e dezembro), para promoção de 2.595 policiais militares, o que não deve ocorrer.

O governo alega falta de dinheiro – e, principalmente, recente decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que impede o GDF de usar recursos do Fundo Constitucional para pagar despesas com aposentadorias e pensões. Em troca, policiais que estão nas ruas fazem ameaças veladas de entrar em “Operação Tartaruga”. Nesta semana, várias faixas foram espalhadas pela cidade, anunciando a operação padrão e pedindo respeito para a categoria.

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A previsão era de que, com a redução do interstício, 2.693 policiais fossem promovidos, mas apenas 98 conseguiram. Fazer somente o básico é o grande mote da manifestação. E isso é fator preponderante para que os números do crime aumentem. Temendo que isso se alastre, o governo tratou de chamar o deputado distrital Hermeto (MDB), que representa a categoria na Câmara Legislativa, para, em reunião, explicar a atual situação financeira e pedir ajuda para conter os ânimos dos policiais insatisfeitos.

“Eu, como policial militar e representante da corporação, digo que o momento é crítico. Mas acredito que a Operação Tartaruga ainda não seja uma realidade. Os policiais estejam desmotivados, já que esperavam há muito tempo pela promoção. E eu disse isso ao governador, precisamos de um plano de carreira para reparar algumas distorções. Um soldado hoje tem que esperar dez anos para virar um cabo”, argumenta Hermeto.

Da parte do Palácio do Buriti, dizem, agora, só se pode trabalhar com o diálogo. As reivindicações estão sendo estudadas, conforme informaram, mas, por enquanto, nada ainda é factível.

Operação Tartaruga

Parar de se exceder na velocidade da via é uma das ações que podem ser implementadas na operação padrão. Continuar nas ruas, mas diminuir – ou acabar – com as abordagens também. Assim como deixar de registrar flagrante perto do horário do fim do plantão ou não agilizar uma ocorrência, quando há outra na espera.

“Quando está na rua, o policial extrapola sua própria função. Se ele fizer só o básico, o índice de criminalidade sobe”, reconhece Hermeto, par quem o momento é de buscar o diálogo e o entendimento, em vez da radicalização.

Leia também: Rollemberg sobre Ibaneis: “Eu avisei”



2 comentários para este artigo

  1. Cana Pobre disse:

    Acho que o papel de uma repórter é se informar, e para isso é necessário ouvir todos os lados. Incompreensível se dar ouvidos apenas as falácias de uma categoria, no caso à PM.
    Primeiro que a redução dos índices de criminalidade não se deve à PM ou a Civil. A redução é geral, a nível nacional, desde o início do governo Bolsonaro. E se deve muito mais a uma nova política nacional de combate à criminalidade. Aproveitando a brecha, a principal maneira de se combater a criminalidade é o desmantelamento de organizações criminosas, fato que depende de investigação, ação essa a cargo das polícias Civil e Federal, segundo a constituição Federal.

    • millena lopes disse:

      Oi. Você leu/ouviu todo o texto/comentário? O “outro lado” foi ouvido. Foi o “outro lado” que falou que não tem dinheiro pra pagar, que falou que trabalha pela unificação de segurança e ainda disse que está buscando conter, com diálogo, todo a insatisfação da categoria. Repara direitinho no texto, que lá tem tudinho =)

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