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Relator do projeto  na CCJ, Reginaldo Veras diz que texto não atende ao que recomenda o PDOT e passa por cima do PPCub

 

Reginaldo Veras (à esquerda) foi escolhido por Sardinha (no centro) para relatar o projeto na comissão – Foto: Ísis Dantas

Mesmo que a maioria dos deputados distritais concordem que sejam necessárias as alterações nas atividades desenvolvidas no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), o projeto que muda o uso dos lotes do SIG não deve ter tramitação a jato, como esperava o governo. Na Câmara Legislativa, foi um criado um grupo de servidores efetivos para analisar os aspectos técnicos e legais do texto. Mas o que chama a atenção mesmo é o fato de o deputado Reginaldo Sardinha (Avante), que é do mesmo partido do vice-governador, entregar a relatoria do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a um parlamentar independente e praticamente da oposição, Reginaldo Veras (PDT).

Veras já adiantou que o projeto fere o Plano de Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), que determina que qualquer transformação no centro urbano deve se basear no Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub), que não foi votado ainda na Câmara Legislativa. “Alterar o SIG antes é dar o drible da vaca no PPCub. Hoje, se votar pela rejeição do projeto é o que posso dizer, já que a determinação do PDOT não está sendo respeitada”, argumenta Veras.

“Drible da vaca” é uma expressão muito usada no futebol, em referência ao jogador dribla que o adversário tocando a bola por um lado e passando por ele pelo outro. Assim, o adversário fica em dúvida se presta atenção na bola, de um lado, ou ao adversário, do outro.

O potencial construtivo, com o aumento de gabarito, e o impacto no trânsito são questionados pelos parlamentares, inclusive os da base. Alguns acham até que o fato de Veras ser escolhido para relatar o texto na CCJ seja uma espécie de “recado” que Sardinha envia ao Palácio do Buriti. É ideia dele também a criação de uma comissão de servidores efetivos da Casa para apreciar os aspectos técnicos e legais do projeto. O que deve atrasar a tramitação do texto – o governador Ibaneis Rocha enviou com pedido de urgência o projeto de lei à Casa. A pedido dos empresários que têm interesse em explorar o SIG, dizem.

Sardinha diz que não tem recebido qualquer tipo de pressão do Palácio do Buriti. “Político não pode pensar em oposição quando se tem um tema tão delicado e dessa magnitude”, garante. Veras, segundo ele, era o deputado mais qualificado para relatar o texto e seria o próximo da fila, no rodízio que foi estabelecido na CCJ. “Coincidência”, disse o parlamentar do Avante.

“Meu mandato é independente”, cravou Sardinha, ao reafirmar que o governador Ibaneis não entrou em contato com ele. “O governo nem conversa comigo”, disse. “Com o Paco (Britto, vice-governador do DF), eu falo sempre, mas não falamos nada de SIG”, continuou.

Clique aqui e ouça o comentário na íntegra sobre o assunto na Rádio CBN

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