Centro de Referência Especializada em Assistência Social (Creas) da Estrutural é ameaçado de despejo

Atualizado em 26/06/2020

Secretaria de Desenvolvimento Social negocia permanência em prédio da Administração Regional. Sindsasc reforça importância do atendimento na região, apesar das más condições de trabalho no local

 

Desde 2010, o Creas funciona em duas salas do prédio Centro Cultural, que pertence ao acervo patrimonial da Administração Regional da Estrutural – Foto: Divulgação/Sindsasc

A Administração Regional da Cidade Estrutural ameaça a retirada do Centro de Referência Especializada em Assistência Social (Creas) que funciona em duas salas do prédio do Centro Cultural da cidade, há dez anos. Representante da categoria que trabalha no local, o Sindicato dos Servidores dos Servidores da Assistência Social e Cultural do GDF (Sindsasc) denuncia que, diante da ameaça de despejo, não há outro lugar para onde o Centro possa ser transferido.

A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) confirmou que a Administração Regional da Estrutural solicitou a dissolução do contrato de cessão, no dia 10 de junho. E que, na quarta-feira (24), o administrador Gustavo Souza esteve na sede da secretaria e se reuniu com a secretária adjunta de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, e a subsecretária de Assistência Social, Kariny Alves.

Conforme a pasta informou, em nota, as gestoras explicaram a importância da permanência do Creas no atual prédio e o impacto que a desocupação poderia causar no acompanhamento das famílias da cidade. Está agendada, para a próxima semana, uma visita técnica à unidade da equipe da Sedes com uma equipe da Administração.

Diante da crise, os servidores do Creas da Estrutural divulgaram uma carta aberta informando sobre a situação de precariedade de trabalho com alerta para a importância da unidade na região. “A Estrutural registrou 360 casos de violência doméstica em 2019, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, sendo a maior parte relacionada à violência psicológica (73%) e física (52%). Os casos de estupro correspondem a cerca de 5% de todo o Distrito Federal, apesar da população da cidade corresponder há apenas 1,2% da população total”, diz um trecho da carta.

Sem condições

O sindicato diz que mesmo que as instalações estejam distante do ideal, funcionando em apenas duas salas de forma improvisada há dez anos, a unidade tem papel social importante na região. De acordo com as normas do Caderno de Orientações Técnicas do Creas, as unidades devem ter imóvel próprio e adequado com recepção, sala de atendimento individual e familiar, sala de atividade em grupo, salas específicas para gerência, equipe técnica e administrativo, banheiros, copa/cozinha, espaço externo de convívio e espaço de almoxarifado. O preenchimento das normas no espaço físico de duas salas é impossível, aponta o Sindsasc.

Os Creas são destinadas à prestação de “serviço especializado de proteção e atendimento a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos”, de acordo com definição da Sedes. Segundo informações do site da secretaria, no Creas é atendida a população que passa por situações como violência física, psicológica, sexual, tráfico de pessoas, atendimento da família em que o adolescente está cumprindo medidas socioeducativas, afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medida de proteção; situação de rua, de risco pessoal e social associados ao uso de drogas, vivência de trabalho infantil; discriminação em decorrência da orientação sexual e/ou raça/etnia.

Millena Lopes



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