CPI da Pandemia: barrar ou dominar

Atualizado em 09/09/2020

Time de articuladores do Palácio do Buriti trabalha para consolidar base aliada na Câmara Legislativa e dissuadir os deputados distritais de instalar comissão para investigar gastos da Secretaria de Saúde durante a pandemia do novo coronavírus 

 

Sessão remota da Câmara Legislativa desta quarta-feira (2) – Foto: Divulgação

Se não conseguir barrar a instalação da CPI da Pandemia, pelo menos que ela seja dominada pelos deputados governistas. Um time de articuladores do Executivo está em campo para trabalhar em duas frentes: consolidar uma base para que seja realmente aliada e tentar barrar a instalação da comissão para investigar os gastos da Secretaria da Saúde durante a pandemia do novo coronavírus.

Com a prisão da cúpula da pasta, na semana passada, o requerimento do deputado distrital Leandro Grass (Rede) ganhou novo fôlego e, com 13 assinaturas, está tudo pronto para que a CPI seja, de fato instalada. Mas a realidade dos bastidores é outra e o presidente da Casa, Rafael Prudente (MDB), pediu que a procuradoria da Câmara emitisse parecer quanto à regularidade do requerimento. Para a oposição, esta poderia ser uma medida protelatória, para que os articuladores do governo ganhem tempo e convençam, talvez, algum deputado a retirar assinatura do requerimento, que perderia apoio da maioria da Casa. Prudentinho nega.

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Na sessão remota desta quarta-feira (2), governistas, a exemplo de Rodrigo Delmasso (Republicanos), trataram de defender o governo, enquanto os apoiadores da CPI fizeram pressão para que ela logo fosse instalada. O presidente pediu prazo para que a procuradoria se manifeste.

Nos bastidores, o governo tenta negociar com os deputados do centrão, que já têm sido chamados de “indomináveis”. Roosevelt Vilela (PSB), Eduardo Pedrosa (PSC), Reginaldo Sardinha (Avante), João Cardoso (Avante), Jorge Vianna (Podemos) e Daniel Donizet (sem partido) estão bem no meio das discussões, mas as negociações com o governo não têm fluído muito.

Base fiel e sem chantagem

A encomenda do governador, que não tem a paciência como principal virtude, seria tentar consolidar uma base sem contar com o quinteto indominável. Nos bastidores, fala-se em “base fiel e sem chantagem”.

Fala-se também que inviabilizar a CPI teria sido uma tarefa entregue a Rafael Prudente pelo próprio governador e que essa articulação poderia render a ele o comando da Casa para os dois últimos anos de legislatura. Ficaria “de boa” com o governador e contaria com o apoio da base aliadíssima.

Mas quem imaginaria que o centrão, que Prudentinho apoiou outrora, se transformaria na pedra no sapato dele a essa altura do campeonato.

Millena Lopes



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