CPI da Pandemia: o tempo que Rafael Prudente ganhou

Atualizado em 16/09/2020

Rafael Prudente e Ibaneis Rocha em foto antiga: laços, no entanto, estão renovados – Foto: Renato Alves/GDF

Na sessão da Câmara Legislativa de terça-feira (8), foi servida torta de climão do começo ao fim. Enquanto os deputados distritais que querem a instalação da CPI da Pandemia insistem com o presidente da Casa, Rafael Prudente (MDB) para formalização da criação do colegiado, ele tem lançado mão de todos os artifícios para protelar a decisão: primeiro, foi a história de que precisava ouvir a procuradoria, o que não é regimental; e, agora, com o parecer contrário à instalação da CPI, passou a decisão para o colégio de líderes, que se reúne na tarde desta quarta-feira (9). Na sessão de terça, os argumentos dele se esgotaram, diante das investidas da oposição e dos independentes para que ele, enfim, desse a canetada que criaria o colegiado. Mas ele não parecia querer ter razão.

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Com o tempo dado por Prudentinho ao governo Ibaneis Rocha, foi possível reacomodar os aliados: o deputado Reginaldo Sardinha (Avante) recompôs os espaços outrora perdidos, conforme o Diário Oficial do DF pode provar. Foram nomeados novos administradores regionais para Cruzeiro e Sudoeste e a cúpula da administração penitenciária, toda trocada. Outro do centrão no radar do Governo do DF é João Cardoso, que também é do Avante, partido do vice-governador Paco Britto. Já é cortejado, pode assinar o contrato de união estável em breve.

O providencial adiamento, que o presidente da Casa nega que tenha sido motivado por qualquer combinado com o Palácio do Buriti, também ajudou no rearranjo do centrão. Pois foi somente na manhã desta quarta-feira que o deputado Daniel Donizeth (PL) formalizou a saída do bloco Brasília em Evolução, a pedra no sapato do Palácio do Buriti, porque, enfim, conseguiu confirmar sua filiação ao partido de Agaciel Maia e junta-se a ele no bloco que já tem Jaqueline Silva (PTB) e Jorge Vianna (Podemos).

A representatividade dos blocos é medida pela quantidade de parlamentares de cada um dos aglomerados, respeitando a proporcionalidade. Com a saída de Donizeth, por exemplo, a configuração dos partidos mudaria e, assim, ou o bloco de PT e PSOL ou o grupo do PDT e Rede perderiam uma vaga na futura CPI, que deve investigar os gastos da Secretaria da Saúde durante a pandemia do novo coronavírus.

Mais tarde, Iolando (PSC), que fazia composição com Prudentinho, Hermeto (MDB) e Robério Negreiros (PSD), também pediu para ser realocado, reforçando o time de Jorge Vianna. Com isso, quem fica sem espaço na CPI é o bloco do próprio Prudentinho. E o que fez um parlamentar ultragovernista revelar: “Prefiro o PT ao centrão na CPI”.

Até que os líderes, enfim, se reúnam e a decisão seja realmente sacramentada, ao que parece, muita água passará por debaixo da ponta. E os bastidores fervem. Os apoiadores da CPI estavam cogitando até que a deputada Júlia Lucy, do Novo – veja bem, do Novo -, fosse fazer composição com os esquerdistas, a fim de salvar a comissão.

Mas o governo se adiantou. E com o rearranjo, a cadeira do PT fica garantida; e o barulho da oposição pode ser menor.

Laços renovados

Rafael Prudente mostrou, mais uma vez, que é habilidoso em negociar. Sai desse episódio com laços fortalecidos e totalmente renovados com o governador Ibaneis Rocha. Embora tenha enfrentado a ira dos colegas distritais, ao protelar a instalação da inevitável comissão, a estratégia do governo segue bem sucedida. Na impossibilidade de barrar a comissão, a intenção é dominá-la.

Afinal, quem se arriscaria em retirar a assinatura do requerimento?

Leandro Grass (Rede), que, tradicionalmente, na condição de primeiro proponente, dever ser o presidente ou o relator da CPI – embora isso não esteja expresso no Regimento Interno da Casa. E deve dar trabalho ao governo, porque está determinado a levar adiante as investigações e a mostrar se houver tentativa de boicote.

Millena Lopes



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