Manobra para engavetar CPI coloca Rafael Prudente mais perto da reeleição

Atualizado em 30/09/2020

 

Rafael Prudente: agora, segue a ordem cronológica  de instalação das CPI’s – Foto: Carlos Gandra/CLDF

“Vossa excelência não tem coragem de investigar o governador que serve”. A frase do deputado distrital  Leandro Grass (Rede) foi o arremate da sessão de terça-feira (15), na sessão da Câmara Legislativa,  quando a CPI da Pandemia foi engavetada. Ele se dirigia ao presidente da Câmara Legislativa, Rafael Prudente, do MDB, que deu mostras concretas de que, enfim, atendeu à demanda do Palácio do Buriti, de impedir que o colegiado fosse instalado.

O governador Ibaneis Rocha tanto quis, que conseguiu barrar a instalação do colegiado que investigaria gastos da Secretaria de Saúde durante a pandemia. O objetivo dos emissários do governo era barrar ou dominar a CPI. Mas a preferência era barrar. E essa incumbência foi dada a Prudentinho, que tem um motivo nobre para mostrar fidelidade ao governo: precisa de apoio para alcançar a tão sonhada reeleição para o comando da Câmara Legislativa.

É um palaciano quem diz: “A reeleição de Prudentinho estava impossível; agora, está somente difícil.”

Clique aqui para ouvir o comentário sobre o assunto na Rádio CBN

Coube a ele ganhar o tempo necessário para que o governo trabalhasse nos bastidores – e na seção II do Diário Oficial do DF – para barrar a CPI da Pandemia. Os deputados do centrão eram a pedra no sapato das articulações e exigiam muito nas negociações.

A retirada de assinatura

Além da distribuição de cargos, que desarticulou o grupo que já foi chamado de indominável, coube a Daniel Donizeth, do PL, partido da família Arruda, retirar a assinatura da CPI – e o requerimento que reunia assinaturas da maioria dos deputados distritais, agora tem apoio somente de metade, 12 deputados.

Para justificar a retirada da assinatura, Donizeth diz que resolveu apoiar outro requerimento, o de Roosevelt Vilela (PSB), protocolado para investigar a gestão da Saúde desde o governo de ex-governador Agnelo Queiroz (PT). Essa CPI, no entanto, entra no fim da fila. E como bem disse o deputado distrital Reginaldo Veras (PDT), o que mais se tem, no momento, é um “monte de CPI, do nada”.

“Foi bem vergonhoso, tanto para a Câmara quanto para o governo. A desmoralização foi grande para a gente”, disparou o deputado do PDT.

O motivo

A retirada da assinatura de Donizeth era o que Rafael Prudente precisava para engavetar a CPI da Pandemia, como queria o governo. Na sessão de terça, a oposição bradou, reclamou, gritou… mas não adiantou nada. Depois de encerrar intempestivamente a sessão, Rafael deixou o vídeo da transmissão aberto e abandonou o Plenário.

A justificativa para o engavetamento: sem a assinatura da maioria, Prudentinho resolveu seguir a ordem cronológica de apresentação dos requerimentos de criação das CPIs: a próxima comissão a ser instalada será a que investigará maus-tratos a animais – assim, a CPI da Pandemia está no terceiro lugar da fila.

Millena Lopes



Deixe seu Comentário





* Campos obrigatórios

Poder no quadrado - Blog de política

Copyright © 2020 - Poder no quadrado | Todos os direitos reservados.

É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer texto ou foto deste site, em qualquer meio de comunicação, mesmo que citada a fonte, sem prévia autorização.

×Fechar